São 4h30 e duas frentes de serviço começam o turno descobertas. O coordenador remaneja operador de uma área para outra, a janela de aplicação corre, e no fim do dia o hectare planejado não fechou. A explicação que sobe para a reunião de resultado é falta de gente.
Falta gente, isso é verdade. O que quase ninguém coloca na planilha é que parte dessa demanda por gente foi criada dentro da própria usina, uma compra de cada vez.
Passada Fantasma
É toda operação que só existe porque o implemento executa uma função quando poderia executar duas. Um trator entra para desenleirar. Outro trator entra depois para tratar a soqueira. Dois operadores, dois turnos, dois tanques de diesel, duas compactações no mesmo solo, para entregar um resultado que sai de uma passada só quando o equipamento é o certo. Ela não aparece em lugar nenhum porque virou rotina.
Compra por Catálogo
O parque de máquinas da maioria das usinas não foi projetado, foi acumulado. Cada equipamento entrou em um ano diferente, por um fornecedor diferente, atendendo uma urgência diferente. O vendedor conhecia bem o catálogo dele. Não conhecia o espaçamento da sua área, a idade da sua soqueira, o perfil do seu operador nem a hora-máquina que você fecha no mês.
O resultado dessa lógica está estacionado no seu pátio agora. Equipamento comprado com aprovação de investimento, justificativa técnica e assinatura, que rodou meia safra e parou. Não parou porque é ruim. Parou porque foi vendido para um problema que a sua operação não tinha, ou dimensionado para uma realidade de campo que não é a sua.
E o pior nem é o dinheiro parado. É o gerente agrícola e o gerente automotivo terem que sustentar aquela decisão na frente da diretoria, sabendo que fizeram a análise possível com a informação que receberam. A informação é que estava errada.